quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sono.


Filha, há em seu sono qualquer coisa que encanta, qualquer coisa que é bela. Sou admirador confesso do seu dormir, velar seu descanso tornou-se algo indispensável em meus dias.

Ver você é feito respirar, intrínseco à minha existência. Tal qual um barco precisa de vento, eu preciso de você para velejar. E esses mares, nunca d´antes navegados por seu pai, andam finalmente fazendo meu viver ter sentido.

Você dorme, meu amor. E quem sonha sou eu.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Quatro meses.



Minha flor, hoje você completa quatro meses. Por causa disso, acordei respirando mais forte, como se fosse eu mesmo o aniversariante. Sim, há motivos de sobra para comemorar.

Você tem perfumado meus dias e, mesmo nas manhãs mais cinzas, o sol insiste em raiar dentro de mim. Graças a você.

Seus sorrisos, tão essenciais quanto o ar que respiro, tornam o mundo cheio de poesia, de encanto. Você me mostra a todo o momento que pequeno sou eu, um pai orgulhoso, feliz e que em alguns momentos fica prestes a explodir de tanto amor.

De tão generosa que você é, vive distribuindo charme para mim, oferecendo o melhor do seu precioso mundo. Tanto é verdade que, na foto que ganhei de dia dos pais, você olha para a câmera tal qual eu fosse a lente. No porta-retrato em cima de minha mesa agora, minha filha, vejo doçura e uma expressão terna. Trata-se de uma fotografia que revela uma paixão mútua, linda, infinita, interminável. E essa, eu faço questão de revelar.

Parabéns, meu amor.  

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Conversa de pai.

Oi, minha filha. Faz tempo que não escrevo para você. Desculpe essa demora toda, a ausência de palavras não reflete falta de amor e sim justamente o contrário. Conforme já disse anteriormente, meu tempo livre tem sido usado para ficar ao seu lado, descobrindo um mundo novo que você me mostra todos os dias.

Amanhã você completa três meses, veja só. E para a comemoração ficar ainda melhor, domingo é Dia dos Pais, o meu primeiro!

Essa semana ganhou uma graça especial, você agora conversa comigo. Sua pequena voz, seus sons, nada mais lindo já escutei nessa vida. Eu ainda não entendo o que você quer dizer, provavelmente o que eu falo também deve ser estranho aos seus ouvidos. Que importância isso tem? Frases são coisas de adultos. Coisa que quando fico contigo deixo de ser.

Eu amo você. Ainda mais, por incrível que pareça.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O tempo que eu tenho é com você.


Luiza, você completa vinte dias hoje. E faz tempo que não escrevo para você, justamente no momento em que está mais presente em minha vida. Mas não estranhe isso, meu amor, tenho a explicação.

O tempo que usaria para redigir algumas linhas serviu para eu ficar mais perto de você. E ao invés de pensar em metáforas, carreguei você no colo, embalando o sono mais lindo que já vi. Preferi velar suas madrugadas a ficar na frente da tela do computador com a página em branco. Enfim, quis dar mais atenção à esta filha que, sem mais nem menos, chegou e roubou todos os meus pensamentos.

Minha pequena, escrevi menos. Porque você, definitivamente, é a melhor poesia que eu poderia um dia fazer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nascimento.


Filha, você veio no dia doze de maio de dois mil e onze. De surpresa, adiantada, seu pai levou um susto. Do prenúncio de seu nascimento à sua efetiva chegada foram quatro horas. De ansiedade, medo, felicidade.

Vi você sair da barriga da sua mãe, Luiza, quanta emoção!  Que palavras que nada, falar o que? Consegui sussurrar um “eu amo você” com a voz trêmula e fraca. Depois disso, mais uma espera torturante, você demorou a chegar no quarto.

Trouxe você para meus braços logo após o almoço que nem tive, comer pra que? Naquele momento, meu amor, senti tudo de melhor que um ser humano pode sentir. Você dormia, minha filha. E era eu que estava nascendo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aromas.


Ontem, ao voltar para casa, coloquei a cabeça para fora da van que me levava até o metrô. Queria apenas sentir o vento forte no rosto (por vezes uma simples brisa pode tornar um dia difícil mais ameno), porém ganhei mais uma surpresa: o cheiro de dama da noite que saía de uma casa.

Luiza, os aromas são importantes, sabia? Capazes de nos transportar para outro lugar, outra época, eles mudam nosso humor. O das flores que já falei anteriormente, por exemplo, me fizeram lembrar dos finais de tarde das férias escolares. Era um odor típico da pracinha que tem em frente à casa dos seus avós, eu brincava até anoitecer e estas plantinhas me ofereciam seu melhor. Eu era muito pequeno para perceber o valor disso, mas hoje eu me recordo com saudade.

Tem outros cheiros que me agradam - de comida da minha mãe, de mar, de café fresquinho. São tantos que poderia ficar escrevendo páginas e mais páginas, e não foi por isso que comecei esta missiva. E sim para dizer que, em breve, vou inaugurar o meu novo aroma predileto: o de filha que acabou de nascer.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nosso lugar.


Luiza, quando você chegar vai perceber que o mundo é lindo. Não, não me refiro ao planeta que todos conhecem, estou falando do mundo que você, sua mãe e eu vamos construir juntos.

Nele, minha filha, você vai encontrar árvores cor de rosa, céu lilás e pés de pirulito. Flores vão nascer do asfalto e passarinhos estarão sempre por perto, já que conseguiremos voar.

Em nosso mundo vai ter livros do Ziraldo, desenhos animados e historinhas que inventei com tanto zelo que se tornarão realidade. E um montão de corujas para velar nosso sono mais tranqüilo.

Principalmente, minha pequena, você vai ver o amor que sinto por você. Ele é tão grande, tão presente, que você poderá tocá-lo.